"Vai um rotedogue com milquexeique, aí?"

 Por José Alessandro Oliveira
(crônica publicada no jornal de bairro Fala São João)

Autorização gratuita para reprodução: (51) 990-171-59 ou josealessandro@yahoo.com.br

 

Para nossos vizinhos portenhos, mouse é, literalmente, coisa para americano ver. Na Argentina, se fala ratón mesmo, e winchester é só a marca de um rifle, pois, lá, hard disk é disco duro, e por aí vai...

Já, nós brasileiros, adoramos um estrangeirismo. Lemos tudo em inglês, torcendo a língua e fazendo cara de esperto. Ai de quem ler lazer onde está escrito laser! E qual a pena para quem escrever lêiser? Deverá ficar ajoelhado nos grãos de milho, lendo playground, pager, gay, page-maker, air bag, baby-doll, game, etc. Se depender do gramático Volnyr Santos, tudo tende a facilitar.

Já está registrado no DELP - Dicionário Essencial da Língua Portuguesa, da Editora Rígel, em uma seção de estrangeirismos, palavras, como pleigraunde, pêiger, guei, peige-mêiquer, erbegue, beibidol, gueime, etc.

Imagine-se dirigindo pela Assis Brasil e, de repente, deparar-se com um grandioso bequilaite, ostentando o Bourbon Xópin. Imagine lendo um manual de internete: Clique com o botão direito do seu mause no bequigraunde do saite, mas cuidado, um réquer pode deletar sua romepeige.

Viva o neologismo! Viva o estrangeirismo! Mas mundo globalizado precisa de traduções? E a linguagem, berço da cultura de um povo, antigamente tão protegida, não sofrerá terríveis perdas nesse processo desenfreado de criações. Segundo Svetoslav Kolev, especialista europeu em lingüística, se não forem tomadas medidas de preservação para os idiomas, a tendência é que muitos deles desapareçam. O principal fator para o sepultamento de uma língua é a comunicação. Alguns jovens preferem a língua falada na mídia à sua língua materna. A gota d´água é quando a comunidade se questiona se vale a pena falar sua própria língua.

É mais coerente o que fazem nuestros hermanos: cantam "Sunday bloody Sunday", mas a banda é U-dos. Para nós, provavelmente, será Iu-tchú. Fica, então, a dúvida: Autorizar a escrita de saite e internete ou ensinar que site é local, international net é rede internacional? Para quem clicou na alternativa "a", pode aproveitar a repiáuer de hoje, no xópin, ouvindo no seu uoquimen uma música dâncin, comendo um rotedogue e tomando um milquexeique. E quando chegar em casa, acessa a internete e me envia um imêil.

 

José Alessandro de Oliveira - josealessandro@yahoo.com.br